O QUE É REDUCIONISMO?

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Chamar o outro de reducionista virou quase um palavrão e é uma acusação frequente nos discursos e críticas no meio acadêmico. É usado muitas vezes sem critério, sem conhecimento de causa, e geralmente de forma pejorativa para atacar teorias adversárias. É o que ocorre frequentemente nos cursos de psicologia quando professores e alunos fazem afirmações, às vezes muito rasas, acusando outras abordagens. Como, por exemplo: “― A psicanálise reduz tudo a sexo!”; ou “― Os behavioristas querem reduzir toda complexidade humana a simples respostas a estímulos.” ou ainda “a neurociência reduz tudo a ligações físico-químicas.”

Uma resposta contra essas declarações mal fundamentadas, que apontam um ou outro como “reducionista”, depende de um conhecimento mais profundo sobre essas abordagens, o que não é a finalidade deste artigo. Mas voltaremos a tratar da neurociência como exemplo ao fim de nossa análise.

Mas, além desse uso popular como acusação, o que é reducionismo mesmo?

Reducionismo: o todo se explica pelas partes?

Reducionismo: o todo se explica pelas partes?

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O QUE O CÉREBRO DE UM ARTRÓPODE PODE NOS DIZER SOBRE SUA EVOLUÇÃO

O que podemos aprender com o cérebro de um único indivíduo? Se o cérebro for de um remípede, foco de um artigo elaborado por Fanenbruck et al.1, a resposta é algo novo sobre a filogenia dos artrópodes. Os remípedes, descobertos em 1979, são crustáceos encontrados no fundo das águas de cavernas costeiras2, 3. Até o momento, 12 espécies de remípedes são conhecidas: uma a partir de uma única caverna na Austrália ocidental e as outras do Caribe. O corpo de um remípede é dividido em uma cabeça e um tronco alongado com um máximo de 32 segmentos. Os segmentos do tronco apresentam apêndices que funcionam como remos, o que dá nome ao táxon (remípede: “pés de remo”). Os remípedes apresentam algumas adaptações para viver no escuro, como a ausência de olhos e de pigmentação, mas, como outros crustáceos, têm dois pares de antenas.

Remípede

A história evolutiva destes raros artrópodes é incerta. Em seu estudo sobre o cérebro de Godzilliognomus frondosus, Fanenbruck et al.1 propõe uma nova visão sobre a filogenia destes organismos. Seus estudos neuroanatômicos sugerem que os remípedes provavelmente fazem parte de um grande clado que inclui os malacostraca e o hexapodas, dois grupos de artrópodes bem conhecidos por seus cérebros complexos.

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