ÁGUA, COMPORTAMENTO E O MUNDO SENSORIAL DOS PEIXES

Uma questão filosófica antiga é: existe um mundo lá fora – uma realidade concreta – de onde recebemos passivamente as imagens (não só visuais) que compõe nossas visões de mundo, ou tudo que acreditamos ser do jeito que é, é na verdade fruto da nossa percepção e do nosso pensamento?

Parece uma indagação boba, aliás, é claro que existe uma realidade objetiva! Opa, não é bem assim, não há como ter certeza, porque só temos acesso “ao mundo” através de nossos órgãos de sentido. E se nossos sentidos estiverem nos enganando? E eles enganam como bem mostra as chamadas ilusões de ótica. O famoso filósofo René Descartes, no século XVII, dizia que os sentidos podem ser fonte de erro e enganação, e se não o são é graças a Deus! O neurologista Oliver Sacks tem publicado diversos relatos em seus livros de como o mundo que a gente constrói depende de nossas “construções mentais” – que por sua vez depende das estruturas neurais e da relação do sujeito com o ambiente…

Enfim, essa discussão a gente pode deixar pra outro dia. O que nos interessa aqui é que todos nós temos um “mundo”, seja ele uma realidade objetiva ou uma abstração construída mentalmente, pois é no mundo que agimos, que nos comportamos. E para nós, seres vivos, termos acesso/construir esse mundo, dependemos de nossos sentidos. Todo mundo lembra: tato, visão, olfato etc. Mas esse conjunto que todos conhecem não é regra. Diversas espécies lançam mão de diferentes mecanismos sensoriais para poder se comportar de forma mais adequada possível em relação às suas condições de vida.

Vejamos então, quais as estruturas que ajudam os animais aquáticos a lidar com seus mundos… Continuar lendo